Reações Transfusionais

As reações transfusionais são classificadas em:

  • Imunológicas
  • Não imunológicas

 IMUNOLÓGICAS

As reações imunológicas podem ser agudas ou tardias.

  1. Imunológicas agudas

1.1. Hemolítica aguda

É a mais temida e ocorre devido à incompatibilidade entre os grupos sanguíneos. Caracterizada por uma hemólise aguda que se manifesta, normalmente, na primeira meia hora de transfusão podendo levar o animal a óbito em consequência de uma insuficiência renal que se instala.

Manifestações clínicas: febre, taquipneia, taquicardia, emese, hipotensão, urina de coloração escura (hemoglobinúria), oligúria, choque.

Prevenção: TESTE DE COMPATIBILIDADE e TIPAGEM SANGUÍNEA antes da realização da transfusão.

O uso de medicamentos como corticoides não previne este tipo de reação. A severidade da reação é diretamente proporcional ao número de hemácias transfundidas sendo assim é recomendado que a administração seja bem lenta, calculando a metade da velocidade da dose recomendada para a infusão do animal nos primeiros quinze minutos da transfusão.

Monitorar a transfusão principalmente em relação à temperatura corpórea cuja elevação é o primeiro sinal de manifestação.

Tratamento (suporte):

  • Interromper a transfusão
  • Fluidoterapia
  • Monitorar fluxo urinário (conforme a espécie)
  • Oxigenioterapia
  • Diuréticos (em caso de oligúria)
  • Antieméticos
  • Dexametasona (cão) : 1 mg/animal EV a cada 24 horas (para minimizar as manifestações clínicas), podendo chegar a 5 mg/ animal em caso de choque.

Gato:  0,125 a 0,5mg/ animal EV a cada 24 horas (para minimizar as manifestações clínicas podendo chegar a 2,5 mg/ animal em caso de choque).

1.2 – Reações transfusionais não hemolíticas febris

Resultam de reações imuno mediadas contra leucócitos, plaquetas e proteínas.

Clinicamente, são definidas quando ocorre a elevação de 1 °C da temperatura corpórea durante a transfusão.

A fisiopatologia destas reações não está totalmente elucidada. Podem ser manifestadas com a administração de qualquer hemocomponente.

Além da febre, podem ocorrer manifestações clínicas como urticária, angioedema, prurido, êmese, diarreia, dispneia e mais raramente anafilaxia.

Tratamento:

  • Interromper a transfusão
  • Fluidoterapia – infusão rápido
  • cloridrato de difenidramina (cão e gato): 2 a 4 mg/kg a cada 8 a 12 horas EV ou IM
  • Dexametasona: 0,5-1 mg/ animal EV ou IM
  1. Imunológicas tardias

Caracterizadas, principalmente, por uma hemólise tardia em consequência da redução da vida média das hemácias transfundidas. O período médio esperado das hemácias transfundidas é de 21 a 48 dias. A hemólise tardia resulta de uma vida média das hemácias de 2 a 5 dias.

 

NÃO IMUNOLÓGICAS

 

PRINCIPAIS REAÇÕES TRANSFUSIONAIS NÃO IMUNOLÓGICAS EM CÃES E GATOS

 

 

REAÇÃO

 

 

CAUSA

 

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

 

TRATAMENTO

 

Reação Anafilactóide

 

Infusão rápida

Degranulação de mastócitos

 

Urticária

Angioedema

Dispneia

Interromper a transfusão

Epinefrina (IV), anti-histamínicos (SC ou IM) e corticoides (IV)

 

 

 

Sobrecarga circulatória

 

Administração excessiva de volume de sangue total ou hemocomponente

 

Taquipneia

Bradicardia

Edema pulmonar

Interromper a transfusão

Diuréticos

Optar por concentração de hemácias em pacientes nefropata ou cardiopatas

 

 

Contaminação microbiana

 

Sangue total ou hemocomponentes contaminados com bactérias ou fungos

 

Taquipneia, Taquicardia

Febre, êmese

Choque e Colapso

Interromper a transfusão

Coletar amostra de sangue das bolsas e do receptor para cultura

ATB e fluidoterapia (IV)

 

 

 

Hipotermia

Administração de hemocomponentes frios (grandes volumes, pacientes pequenos e anestesiados) Depressão

Tremores

Arritmias

Choque

Parada cardiorrespiratória

Interromper a transfusão

Administrar fluidos aquecidos

Aquecer o paciente durante a transfusão

 

 

Intoxicação por Citrato

 

 

Administração de grandes volumes do citrato

Sinais e sintomas de hipocalcemia, tremores, febre, arritmias cardíacas, êmese, convulsões Administrar gluconato de cálcio a 10% (1 mg/kg/IV lentamente)

Monitorar com ECG

 

Policitemia

(aumento de hemácias no sangue)

Transfusões de sangue total para tratamento de doenças hemostáticas  

Aumento do hematócrito

Trombose

Isquemia

 

Flebotomia (sangria)

terapêutica

 

Observação: em caso de qualquer de reação transfusional, independente da causa, o animal deve ficar em observação por no mínimo 24 horas.